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| Blog de Werner Schumacher |
Coca-Cola investirá R$ 11 bi no Brasil e quer dobrar de tamanho até 2014
Motivada pela realização da Copa do Mundo de Futebol e pela Olimpíada no Brasil, bem como por pesquisas que apontam a entrada no mercado nos próximos anos de aproximadamente um bilhão de consumidores das classes média, D e E, sendo que boa parte destes estará no Brasil.
Nos últimos 25 anos de Brasil a Coca-Cola viu o seu volume de vendas crescer 50 vezes e no ano passado vendeu 9 bilhões de litros de seus produtos: refrigerantes, sucos e chás. Razões de sobra para a corporação estar otimista, além, de sozinha, fazer os brasileiros consumirem 50 litros per capita ano.
Outra razão importante para investir no Brasil é o fato de que o refrigerante está virando alvo de ataques em países como os Estados Unidos, Alemanha, México e tantos outros, como o grande vilão responsável pela obesidade e esta moda parece estar longe de chegar por aqui. Comenta-se, inclusive, que está em estudos o Bolsa Refri.
Para dobrar de tamanho em 5 anos, é preciso crescer pouco mais que 14% ao ano.
Isto parece não ser tarefa difícil para a Coca-Cola, haja vista os investimentos que fará em logística, modernização de fábricas, aquisições, etc. Por outro lado, a corporação é acusada de prática predatória e desleal, de acordo com a AFREBRAS – Associação dos Fabricantes de Refrigerante do Brasil.
Através de produtos regionais, como a marca Charrua (RS) e a Simba (SP), a Coca-Cola está praticando preços de R$ 1,55 para o litro de Charrua e R$ 1,29 para aquele de Simba, enquanto nenhuma marca dos demais fabricantes consegue cobrir seus custos e funcionar sadiamente vendendo o litro de refrigerante por menos de R$ 1,70. Coca-Cola não precisa abaixar preços, não é mesmo!
A AFREBRAS acusa também a Coca-Cola e a AmBev de comprarem espaço nas grandes redes de supermercado, que acabam retirando os demais fabricantes dessas lojas. De acordo com a ABIR - Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas, há no país 835 fabricantes de refrigerantes, sendo líder a Coca Cola, com 56%, seguida por AmBev (11,1%), Pepsi (6,8%) e Schincariol (4%). Os outros fabricantes detêm, juntos, 22,1% do mercado, de acordo com dados de janeiro a julho.
Tudo isto se presta para algumas reflexões. A Lei de Paretto, do celebre economista italiano a quem deve seu nome nos dizia que 20% das empresas têm 80% do volume de produção ou comercialização de um bem, mas aqui fica demonstrado que esta lei não vigora mais, pois menos 0,5% domina quase 80% do mercado.
As grandes corporações crescem por ter uma marca muito forte - a Coca é a mais forte do mundo - e fazem campanhas publicitárias milionárias. Há alguns anos, o presidente de uma dessas companhias foi demitido por perder 1% do mercado. Entre perder mercado e a prática de ações predatórias no mercado, há uma grande diferença.
Constata-se que no setor de bebidas não alcoólicas há também uma certa divisão em termos de associações, tal como o vinho, parece haver uma para a defesa de cada grupo interesses.
Seria importante saber quantos funcionários empregam os outros 831 fabricantes de refrigerantes do país, ou seja, 99,52% destes - a maioria – e quanto é a produção média por litro de produto, para que se possa fazer uma comparação entre as gigantes, as pequenas e médias empresas do setor.
O suco de uva, produzido aqui na Serra Gaúcha, vem ganhando mercado e mais mercado nos últimos anos. Dizem até que o crescimento das vendas foi mais de 40% no 1º semestre deste ano. Cabe a pergunta, quais investimentos o setor está fazendo para atender a demanda futura?
Não há grandes rumores, afinal, a grande maioria é de fabricas pequenas e suas estratégias são guardadas a 7 Chaves, mas fica a lembrança: VAI FALTAR UVA PARA A PRODUÇÃO DE SUCO EM BREVE.
Está aí uma oportunidade a ser explorada, mas nossas lideranças parecem fazer pouco caso disto. Talvez porque não interessa uma solução para os pequenos produtores de suco e uva.
O mercado ainda é a melhor solução, mas é necessária a intervenção do governo quando abusos existem.
Escrito por Werner Schumacher às 22h19
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