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| Blog de Werner Schumacher |
O Vale dos Vinhedos, em primeiro lugar. é um distrito de Bento Gonçalves, que surgiu pela emancipação de Monte Belo do Sul, portanto, é uma área geográfica que pertence a uma comunidade.
Posteriormente, esta área foi ampliada, não do ponto de vista político geográfico, surgiu apenas para a formação de um território de Indicação Geográfica, mais precisamente a Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos - IPVV, incorporando parte dos municípios de Garibaldi e Monte Belo do Sul.
Sob este ponto de vista, a IPVV é, antes de tudo, uma ferramenta de desenvolvimento humano, social, cultural, ambiental e econômico, fazendo surgir aqui à necessidade de esta satisfazer, sobretudo, a comunidade. Como é, por exemplo, na Borgonha, onde até as festas religiosas são prestigiadas e comemoradas por todos.
Fica claro, portanto, que uma Indicação Geográfica pode e deve ser também uma ferramenta de marketing, mas não apenas isto, como vem sendo a IPVV, uma vez que poucos produtores de uvas entregam a sua colheita nas cantinas do Vale. Facilmente constatável pela quantidade enorme de placas de vende-se no Vale e a recente discussão em torno a um loteamento popular que seria erguido numa das mais belas de suas paisagens.
Por fim, utiliza-se o nome, a cultura, o saber fazer e a história de uma comunidade em benefício de uma meia dúzia de dois ou três e a Denominação de Origem, outro tipo de Indicação Geográfica, dificilmente corrigirá esta falha. Deus queira que sim, a única esperança diante da falta de sensatez de algumas lideranças.
Já São Joaquim e as regiões de altitude de Santa Catarina foram mais felizes na escolha do projeto de desenvolvimento, optaram por uma Marca Coletiva em detrimento a qualquer tipo de Indicação Geográfica (IP ou DO).
A opção dos catarinenses é mais sincera, pois foram pragmáticos: “vamos em primeiro lugar pensar empresarialmente”, ou seja, optaram primeiro em investir na projeção de uma localidade e em suas propriedades (vinhedos próprios), para que esta ferramenta de marketing promova os seus produtos.
Não tinham outra escolha, afinal, não há na região vocação vitivinícola. Em outras palavras, eles estão criando esta vocação, é ou será mérito exclusivo dos investidores, quem sabe e se assim o desejarem, será uma atividade empreendedora no sentido de levar o desenvolvimento partilhado na região.
Isto não ocorrendo será apenas mais um investimento, que desejamos, de qualquer forma, sucesso absoluto.
Visualizar estas realidades não é ser pessimista, talvez o seja quando se pensa exclusivamente na remuneração do capital. Oxalá, o Vale dos Vinhedos retome o seu propósito de desenvolvimento - e não apenas o crescimento para poucos – bem como as regiões de altitude catarinenses busquem se orientar para as questões sociais locais, pois turismo, queiram ou não, só se faz comunitária ou coletivamente, escolham o termo que melhor convier, mas façam e não falem apenas.
Faturar e pagar impostos não é tudo nesta vida, é preciso ter responsabilidade social. O Hotel Copacabana Palace não seria nada, não fosse a praia de Copacabana, assim como não somos nada sem as nossas comunidades, locais ou regionais.
Que o texto sirva para reflexão das demais indicações geográficas a caminho e não apenas quanto ao vinho, pois há uma quantidade enorme de outros produtos passíveis de indicação geográfica, como a carne frescal da região serrana catarinense, entre outros produtos.
Escrito por Werner Schumacher às 10h57© Copyright 2008 Provin - Todos os direitos reservados! - All rights reserved!