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COLUNA DO SCHUMACHER: O QUE O CAFÉ PODE ENSINAR AO VINHO

10/02/2010

 





Blog de Werner Schumacher





09/02/2010

O que o café pode ensinar ao vinho


A ABIC, associação que reúne a indústria cafeeira detectou em 1985 que a queda no consumo de café a partir dos anos 60 era devida à má qualidade do produto, detectou, inclusive, até 30% de impurezas e hoje este índice se situa em torno de 1,5%.


 


Esta melhora na qualidade do café se deve a instituição do SELO DE QUALIDADE ABIC, adotado pelos principais fabricantes do país. Vejam bem: selo de qualidade e não selo de controle fiscal. Em outras palavras, havia fraude no café e esta foi diminuída em função de um instrumento de controle da qualidade.


 


A maior parte do vinho consumido no país é o vinho de mesa tinto suave e este tipo de produto tem – no mínimo – 15% de açúcar de cana (sacarose), ou seja, o produto está de acordo com a legislação, mas isto significa que é legítimo? É genuíno.


 


O selo de qualidade da ABIC contribuiu para tornar o café puro, genuíno. O vinho poderia ser genuíno se as correções fossem feitas com álcool de vinho e mosto concentrado retificado. Isto demandaria uma maior quantidade da fruta e, provavelmente, acabaria com os estoques excedentes do produto, bem como forçaria a indústria a comprar uva de melhor qualidade para diminuir tais correções, o que é bom para o agricultor.


 


Tanto o vinho quanto a bebida café vem da terra, mas parece que apenas a indústria cafeeira está preocupada com a qualidade do café e com a vida do produtor rural. Algumas indústrias promovem concursos entre cafeicultores e chegam a pagar 30% a mais o valor de mercado para ter qualidade.


 


Quanto representa o valor do café e da uva no preço final ao consumidor na gôndola do supermercado?


 


Dirão os nossos industriais que a indústria cafeeira não sofre a concorrência dos importados, mas ela se preocupou em melhorar a qualidade antes de sofrer a concorrência dos importados, o que não seria difícil caso a Colômbia entrasse para o Mercosul.


 


Por outro lado, a ABIC informa que o crescimento do consumo está vinculado a diversificação dos hábitos de consumo na forma de cappucinos e outras combinações com leite. Também, credita essa situação à maior oferta de cafés superiores e gourmet e ao incremento do número de cafeterias. Pretende ainda estimular mais o consumo de café com a oferta de cafés ancorados nos selos de pureza, cuja certificação começou no país no início dos anos 2000.


 


Na semana passada, o jornalista Celso Masson, da revista Época, em seu artigo O verão das jarras, publicou receitas de sangria, clericot e outras como alternativas para o consumo de vinho neste caloroso verão. No entanto, isto é de mau gosto para alguns puristas, mesmo assim, não impede que esteja conquistando o público de bistrôs e restaurantes orientais. Completa a matéria com para beber como cerveja, infelizmente sem a dica de nenhum vinho nacional, ou será que os nossos vinhos não são indicados para o nosso verão tropical?


 


Tudo isto serviu para o consumo per capita brasileiro de 4,65 kg, que corresponde a 78 litros da bebida, ser hoje superior a países como a França e a Itália (talvez o melhor café do mundo) e perde de perto ao da Alemanha com 5,86 kg e está longe dos países nórdicos Finlândia, Noruega e Dinamarca com 13 kg, ou 218 litros da bebida.


 


Vamos tomar um café para brindar este inteligente sucesso e fica aqui a sugestão para o setor vinícola nacional convocar o pessoal da ABIC e fazer uma troca de experiências.




Escrito por Werner Schumacher às 10h56

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